sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Inocência"

"She said to me:
'As long as I don't hurt anyone
It's ok not to laugh'
Then she bowed her head in shame
And cried all night"
- "Namida no Mukou", Stereopony

Salve salve internautas!

Queiram perdoar-me pela demora! Mesmo assim, peço que notem o grande passo que minha pessoa avançou: hoje é dia 30, não dia 31. O que significa que não é o último dia do mês de outubro e o tio Lui não vai postar no limiar da linha infinita que divide separadamente em cada lado a deadline alcançada da partida!

Sempre tive uma admiração profunda por Douglas Adams, autor do livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias". Ele dizia "I love deadlines. I like the whooshing sound they make as they fly by".

Não costumo pensar muito antes de postar. Em geral posto quando tenho vontade. E nem sempre a vontade coincide com a inspiração. Não sei se todos no mundo dependem da inspiração para fazer arte mas, raramente me vejo acompanhado por ela quando crio. É como um jogo de probabilidade e acerto. Preciso de tempo, inspiração e engenho se quero criar? Não não, um deles já basta. Acertar todos ao mesmo tempo requeriria uma conta de M.D.C. e eu odeio matemática.

(A música deste post é "Namida no Mukou", significa "Além das lágrimas". É de uma banda de três garotas japonesas bonitinhas e a baixista é uma coisa linda! Nada como japonesinhas delicadas tocando música de qualidade.)





"Inocência"

Sempre tem um babaca que enche o peito e fala "Eu não tenho arrependimentos nessa vida". Uma declaração destas me rende o direito de apontar para ele e rir. De fato nada é em vão, de tudo podemos tirar proveito, inclusive as dores. Porém, aquele que não se arrepende, não aprendeu porcaria nenhuma. Já aquela pessoa, ela, não me gerou arrependimentos; mas muito aprendi.

Caminhar ao lado dela era fácil demais. Sorria por qualquer coisa, qualquer coisa a deixava contente. Deitados em um banquinho de pedra ela me contava o caminho que tinha a trazido até meus braços e eu não conseguia entender como seu corpo ainda tinha tanto calor, seu carinho tanta ternura. Para ela a vida tinha sido um mar de rosas: cheio de espinhos. Até então eu nunca havia entendido por que ela me abraçava como se quisesse ser consumida em meu corpo; me sinto até envergonhado de admitir que, inicialmente, pensava que ela queria dominar minha essência. Não, quanta ignorância a minha. Há garotas neste mundo que o que mais precisam é de um sentimento inalterável.

Em verdade digo que não encontro mais garotas como ela. As meninas que conheci nos últimos tempos são frias e reais. Devem ser os tempos, todo mundo quer ficar com os pés fixos no chão. Todos juntos, se esforçando para ficar em pé, quando o tempo continua a seguir em frente. Mas ela não... As meninas querem ser aceitas mas elas não se mostram. As meninas querem ser amadas mas não se entregam. Querem ouvir que nós as perdoamos por erros que elas não cometeram conosco, mas não pedem desculpas. Ela não. Ela estava pronta para ser amada.

O que temos de mais importante é o Tempo. E para estar junto de uma pessoa, dar este maior bem é inevitável. O grande problema é que nem todos se satisfazem com esta miséria. Já ela, sim. Se eu estivesse completamente em ócio em minha casa e, só para ter alguma coisa para fazer, fosse até a loja dela para bater papo, o mundo dela havia ficado mais iluminado. Não sei se eu tinha virtudes suficiente na época para fazê-la me amar mas, eu já havia vivido suficiente para perceber que minha presença a agradava.

Frágil. Minha pequena, diminuta, flor. Se tirava uma nota baixa ela chorava. Culpa dela, devia ter passado menos tempo comigo e estudado. Mas sempre que chorava, eu a abraçava. Ria da tempestade que ela criava em copos d'água. Eu só queria estar pronto para aceitar suas dificuldades, quaisquer fossem.

Era um domingo a tarde quando ela deixou este mundo. As estradas de Minas Gerais são muito ruins ainda hoje. O carro caiu e girou. Ela estava na janela. Naquela tarde, só minha flor deixou este mundo, ninguém mais.

Meus amigos me consolavam, disseram que não havia durado suficiente. "Suficiente"? O dia que perderem alguém "boa suficiente", falem comigo. Hoje vejo que de fato foram apenas alguns meses e minha opinião não se alterou.

Às vezes preciso me esforçar para lembrar de seu rosto. Seu sorriso. Quase não me recordo das palavras que me deu. Tudo que restou foram os exemplos que me deixou, sua impressão marcada em mim. Tão gentil, correta e generosa. Tive muita sorte de poder tê-la conhecido. Talvez o Lui que existe hoje não fosse capaz de continuar acreditando em seu mundo ideal caso ela não tivesse aparecido.

Dezenas de pessoas contribuiram para que eu não desistisse deste ideal; desta voz sonhadora em mim que insiste em acreditar que cada pessoa vive uma batalha ferrenha, e a gentileza alheia é algo com que todos podem contar.

Sei que se eu estender a mão
Alguém a segurará
Me puxará para fora

Porém, me dói muito saber
Que mesmo que eu estenda ao máximo
Eu não alcançarei onde você está

Minha Inocência.

(A brincadeira deste post é a seguinte! Comentem como se não tivessem auto-confiança alguma e a insegurança fosse tudo na sua vida!)

7 perversos comentaram:

Fox disse...

First coment? Será possível? Não... não deve ser! EU NUNCA CONSIGO O MALDITO PRIMEIRO COMENTÁRIO! T_T

Mas isso não importa! Porque o mundo está perdido!

Ha! Inocência? Diga isso pra Abelha que tentou atacar o meu olho só pra roubar minha Coca! Acredita?! Esse mundo está perdido! PERDIDO, EU DISSE!


Enfim... melhor eu ir antes que a energia acabe e meu comentário vá pro espaço...!

Boa sorte em sua jornada!

Abraços!


Dani!

Fox disse...

Hey Lui!
Comentários estranhos com seus jogos à parte, gostaria de refletir com vossa senhoria um pouco sobre o assunto! E já que sempre que leio seus textos acrescenta-me bastante, gostaria de partilhar um pouco de minha própria experiência!

Uma vez eu conversava com um colega de escola. E ele me perguntou se eu tinha esperança na humanidade. Na época, minha visão era turva. Vinha um mundo sombrio e com pouca esperança. Entretanto, mesmo no meio da escuridão, eu via um feixe de luz. E disse que sim. Que acreditava que algumas pessoas mereciam, sim, serem salvas. E então, ele me perguntou qual a característica eu mais admirava nos humanos. Ambição? Força? Persevarança? Não. Eu lhe respondi: "A inocência".

Ele indagou-me, dizendo que nem todos os homens eram inocentes.

Entretanto, todos os homens foram um dia crianças. E todas as crianças já foram um dia inocentes. Existe característica mais inerente a qualquer ser vivo do que a inocência? Eu acredito que não.

E é linda. Por ela, eu lutaria até o fim. Talvez a minha já tenha sido perdida. Talvez não. Mas não importa. Existem pessoas que nos fazem refletir sobre a vida de forma que nunca fizemos antes. E por elas vale lutar. Mesmo que hoje sejam apenas lembranças, hão de nos dar força para seguir em nossas vidas, lutando por nossos ideais.

Afinal, quem faz nosso mundo...

...somos nós.

Um grande abraço, Lui!

E cuide-se.

Satie-chan disse...

Ahhh, Lui...

Não sei o que comentar. Não sei se sou capaz de dizer algo coerente e bonito como o que você disse...
Você sabe, não sou boa com palavras. Nunca fui. >.<

Mas... Inocência. É bonito... Mas... Será que ainda existe? Será que ainda dá para acreditar? Será que não é utopia hoje em dia? Tenho medo de que esse sentimento/característica tenha se perdido... >.<

Muito lindo o texto, Lui!
Eu nunca poderia fazer algo igual...

Beijos,

___________________________

Comentário extra-oficial:

Lui, as coisas mais importantes que aprendi na minha existência foram não aquelas que acertei, mas aquelas que errei. Entendo seu sentimento de indignação quando algumas pessoas orgulham-se de não se arrepender; mas acho que existem muitas formas de arrependimento, incluindo aquelas que não as encaram de tal forma.
Explicar-me-ei melhor: Algumas pessoas vêem os erros como forma de aprender, como o senhor disse, e vêem nestes aprendizados os valores que fazer aquela experiência ter valido a pena. É só uma questão de ponto de vista (e uso de palavras). ^^"
Confesso que algumas vezes já quis voltar no tempo e consertar pequenos erros. Mas isso me tornaria menos sábia do que sou hoje.
E sobre a inocência... Eu acredito que o ser humano o seja. Há muitas formas de inocência. A pureza é só uma delas, talvez a mais bonita.
E se me permite o comentário... Às vezes, um anjo passa por nossas vidas. Pessoas que nos tocam e modificam profundamente, de tal forma que nunca mais poderemos ser iguais. Acredito ser um privilégio perceber essas presenças e valorizá-las a tempo. Como o senhor disse, o bem mais precioso que podemos dedicar ao outro é o tempo. É o tempo que fortalece laços, consolida amizades, permite o amor nascer. E, às vezes, é o que menos valorizamos, sim. Mas isso é errado. É muito errado.
Recentemente dediquei muito tempo a um processo de tristeza. Por ter escolhido caminhos que não os chamo de errados, mas incertos. Parei de dedicar tempo àqueles que amo (o senhor percebeu a falta de "Oyasumi!"s). Mas isso só foi pior, pois afastei ainda mais quem poderia me ajudar. Quem me quer bem e dedica (parte de) seu tempo a mim.
O importante disso tudo é aprender a valorizar quem está ao nosso lado. Às vezes é difícil enxergar ou perceber, às vezes parece ser óbvio. Mas... Se dedicarmos um pouquinho do nosso tempo sempre que possível... Quem sabe possamos viver sem arrependimentos para com nossos anjos?

[Desculpe o comentário-post! E talvez eu tenha viajado demais, mas seus textos me fazem pensar muito...]

Shira disse...

Meu nome é Luis Amilton e só consegui entrar na F1 pelo sistema de cota racial.

Eu não sei se realmente mereço estar na F1, mas como meu pai me falou q eu sou bom e q sou o campeão mais jovem da história da categoria, eu continuo correndo!

Ainda bem q meu pai tá aqui... sem ele eu não sou ninguém, né pai?

Guto disse...

Lui-kun!

Eu faria um comentário profundo, mas ai as pessoas me julgariam por ele.. >_<

Então, fica um comentário abstrato, impessoal e insensível, que mesmo assim vai ser criticado.. u_u

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Eu costumo dizer que a imaginação é a maior virtude e o maior defeito dos seres humanos... é ela que nos dá esperança, e é ela que nos dá falsas esperanças... mas ler o seu post me fez refletir sobre um ponto válido... a inocência é também uma das maiores virtudes do ser humano, pois é ela que nos leva a, eventualmente, descobrir as coisas que nos fazem caminhar, e, quando na forma da pureza (uma das formas de inocencia, segundo a sa-chan), pode com certeza controlar a imaginação, e dirigi-la para um lado mais virtuoso da consciencia.

Posso ver, pelo seu post, que o caminho de seu aprendizado foi tortuoso. Tenho certeza que muitas pessoas te ajudaram a percorre-lo.. talvez não todas por todo o tempo, provavelmente nem todas te indicando o caminho correto a seguir (mesmo porque, será que há um só caminho, e será que ele é o certo?), mas o importante é que voce se aproxime cada vez mais do final dele... Porque, o final desse caminho só vem quando nossa própria vida acaba.

No começo de nossas vidas, passamos boa parte do caminho caminhando na inocência, e na inocência é que confiamos em pessoas para no ajudar a percorrer.. todos estão indo para algum lugar, e quem sabe esses caminhos que se cruzaram não se unem? As vezes isso é bom, as vezes isso é ruim, mas a pior coisa que voce pode fazer é simplesmente parar, e resistir a caminhar..

Alguns caminhos são finos, tortuosos, e beiram um desfiladeiro, e se voce tiver a sorte de ter bons companheiros viajando com voce, terá sempre mãos para te ajudar a se equilibrar quando estiver prestes a cair... E as vezes, infelizmente, voce vai cair... Nestes momentos, levante-se e comece a caminhar novamente.. voce pode ter se perdido por algum tempo, mas se tentar o bastante, eventualmente vai achar o caminho novamente...

As vezes, os bons amigos de verdade também pulam da ponte com voce, para te confortar na queda e te ajudar a levantar quando voces acertarem o chão lá embaixo.

Com o tempo, a inocência se esgota... Começamos a ver que o caminho não é sempre verde e florido, e que as rosas de nosso mar na verdade estão cobertas de espinhos por baixo da superfície...

Mas, o mais importante de tudo, é nunca parar de caminhar.. não importa aonde voce esteja, é melhor caminhar do que ficar parado aonde voce estiver...

Guto

Fábio Carvalho disse...

Acabo de acordar...
Sinto muito medo, mas acho que é necessário, se não pode ser que tudo acabe pior ainda.

Preciso ir no banheiro me aliviar, mas será que devo?
Já se passou mais de meia hora e minha agonia continua, o homem do saco grande pode estar lá (glup).

Fico apavorado só de pensar, me escondo debaixo da coberta querendo que meu sono volte, mas acho que minha bexiga vai estourar.

Estou correndo em um belo campo, cheiro de mato uma arvore linda e formosa vou até ela e descanso aproveitando a sombra que ela me proporciona, ah que delícia!

Vou até o outro lado dela e aproveito para me alivi...
NNNNÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!

TK disse...

...É um sonho antigo...

...eu desço de minha cama - não simplesmente me levanto. É alto, quão alto.

O quarto está escuro, e a porta, que eu deixei aberta, não recebe mais luz da sala. Eu esperava acordar quando houvesse luz. Sempre acordei com luz aos domingos...

Passos curtos, vou acendendo as luzes da casa. A janela prenuncia que o dia não demora a chegar, mas ainda há estrelas no céu. E ainda há silêncio.

Não há ninguém na sala. Todos estão em seus quartos. Cada ronco familiar é confortante. Cada ruído desconhecido é desesperador.

...mas não é um sonho.
E não é antigo, mas ancestral. É a escuridão que se forma dentro de nós. Rimos dela. Nossos amigos nos mostram que ela não passa de idéias tolas, de criança. Mas quando estamos sozinhos, e as luzes se apagam, e não há nada para se ver a nosso redor, vemos sua verdadeira face ao olhar para nós mesmos.

É terrível, amedrontador. É o maior inimigo da vida. Razão, argumentos, coragem, força, todos eles se desfazem frente a este oponente.

E diante de tudo isso, eu venho defender que inocência é uma arma, um escudo e espada, uma armadura. Porque eu não considero-a a infeliz analogia de ignorância. Há algo mais na inocência que a diferencia do simples não saber.

Inocência não é o olhar infantil que vê tudo pela primeira vez. É o olhar maduro, que conheceu o medo, conheceu a ignorância, a raiva, a frustração. E agora, é capaz de olhar para o escuro, sabendo que a luz chegará.