domingo, 13 de dezembro de 2009

"Uma despedida distante"

"If this dream comes true
I'll trade in my life for your pain
How much will I have to pray
for it to reach the sky?"
- "Daybreak's Bell", L'Arc˜en˜ciel

Salve salve internautas!

Estou adiantando um pouco o post de dezembro porque o post de janeiro é sempre no dia primeiro.
Parece que o estilo de Ecchi Unlimited está se reinventando novamente, não é verdade? Pelo visto, estou escrevendo da forma certa, já que eu também estou sempre me reinventando. E quando um texto reflete a alma daquele que o escreve, creio ser um texto sincero.

Ao longo de meu caminho conheci pessoas realmente extraordinárias. Não falo de super-talentosas mas, pessoas normais em suas dores e decisões. E elas ficam em minha memória como borrões tangidos. Não consigo me lembrar de seus rostos mas, seus exemplos, suas covardias, suas maravilhas... estas sim, me marcam. E formam parte de quem fui, quem sou e quem quero ser.

Esta semana reencontrei uma velha amiga no MSN. Rapidamente, antes mesmo da felicidade do reencontro me preencher, esta amiga me deu bronca! Semana passada houve uma comemoração da minha antiga turma e eu faltei. Mas logo que pudemos começar a conversar, quis saber como estavam as pessoas de meu passado...



"Uma despedida distante"

Seu nome era Tieria. Só hoje descobri que "Tieria" é o nome de uma flor escandinava. Apesar de saber que eu sempre acharia este nome bonito, simples porque era seu. Em nossa sala, eu era o número 27 e você era número 37 na lista de chamada. Por causa disso, todas as aulas de geografia e ciências nós sentávamos juntos para compartilhar do mesmo livro, já que o posicionamento da sala forçava que você sentasse ao meu lado. Não sei se foi destino ou acaso mas, eu gostei de você desde o primeiro instante. De alguma forma, fui cativado para sempre.

Claro que, inicialmente, não era de uma forma romântica. Aliás, acho que só agora consigo pensar em romance. Agora que você não está mais aqui. Mas, na época, apenas a via como uma ótima companhia. Sempre tão agradável. Sua companhia não me trazia dor. Talvez por ser tão breve? Apenas compartilhávamos todo o tempo juntos na terça e na sexta.

Conversávamos de muitas coisas mas nunca sobre nós mesmos. Será que, como eu, você também escondia quem você era? Talvez, diferente de mim, você não queria que seus problemas se tornassem fardo para mim. Mas como não queríamos falar de nossas vidas, falávamos do mundo. O que era o pó de diamante? Qual a razão pela qual o céu é azul? O que é a aurora boreal? O que é o arco-íris? Meu boletim nunca fora tão dourado quanto naquela época, que estudar com você era gostoso.

Lembro como você riu da minha cara, quando eu disse que achava que o pólo sul era ligado ao pólo norte já que o leste se ligava ao oeste. Você ria com tanta alegria que de vez em quando eu dizia alguma palhaçada só para te ouvir rindo. E por várias vezes, estudamos juntos os países e locais deste mundo nas aulas de geografia, cabeças juntas, sobre o mesmo livro. Tantos lugares bonitos, tanta maravilha, não é? Tieria...

Como posso acreditar que aqueles tempos nunca vão voltar? Como posso acreditar que as luzes daquela sala não vão mais se acender?...

Você se sentiu abandonada, Tieria? Se sentiu sozinha? Você não precisava ter tirado sua vida. Mas, agora já foi. Está consumado, e você não está mais aqui. Quem foi que a feriu? Quem foi que te partiu? Será que se eu destruí-lo, você volta, Tieria? Você era uma pessoa vingativa? Eu não sei, você nunca me falou sobre quem você era. Mas, mesmo assim, não consigo parar de pensar em você agora. Queria que você tivesse sido forte. Me esperasse mais duas semanas, e eu teria a alcançado. Finalmente, teria encontrado você. Tieria...

Sei que foi por pouco tempo que nos conhecemos, tão diminuto e tão distante este tempo. Um nó perdido no emaranhado de laços que cultivamos em vida. Talvez você não se lembrasse mais de mim. Algo fútil. Esta diversão em ser nerd eu cultivei sobre sua imagem. Sua memória, seu sorriso, quando eu via que você estava feliz porque o mundo ainda era amplo. E você pequena. Minha pequena Tieria...

Debruçados sobre aqueles livros
Íamos virando as páginas, juntos

Me sinto vazio
Por saber que nestes dez anos de sua vida
Apenas eu estive ausente

Mas o que mais me dói, Tieria
É saber que você teve de se despedir
Dos lugares que você nunca foi...

Tieria...

(A brincadeira deste post é a seguinte! Você precisa comentar e incluir que presente de Amigo e Inimigo Secreto você daria para a pessoa acima!)

3 perversos comentaram:

TK disse...

Eu dava um CD do L'arc en Ciel sublinhando no encarte que tal música era abertura de Naruto.


Que tipo de brincadeira é essa, homem!? Não faz sentido comentar o post falando disso! Está querendo evitar comentários, não é? Pois saiba que eu vou comentar! É!

Eu não acredito em fins! É! E acho que as pessoas vão muito mais longe do que elas acreditam que vão aqui na Terra! É! Acho isso sim! E fins tristes aqui são só capítulos tristes pra quem é capaz de folhear o livro inteiro! Nenhuma despedida é distante! Elas são, no máximo, silenciosas! É! Humpf!

Satie-chan disse...

Um gato preto e um guarda chuva. Deixo o Tê escolher o que é de amigo secreto e o que é de inimigo secreto.
__________________________

Ouch! Concordo MUITO com o Tê! Que raios de brincadeira estúpida é essa? Não tem como comentar o seu texto e fazer a brincadeira ao mesmo tempo!

Bom, diferente do Tê, eu vejo fins em nossa vida sim. Sim. Mas estes fins... Eles são o começo de um novo ciclo, são continuações, são emendas. Pode se chamar de "fim" justamente quando algo foi aprendido, algo foi concluído. Às vezes, algumas coisas são interrompidas. Logo, não chegaram ao seu fim. Talvez tenham apenas partido para um caminho diferente; se mais ou menos tortuoso, não sei dizer. "Se fosse fácil seguir o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim".
A única coisa é que os caminhos a serem trilhados são diferentes para cada um, pois dependem das convicções que cada indivíduo tem. E, às vezes, as escolhas dos outros simplesmente não fazem sentido para nós. Talvez nem devam fazer.
Lui, você acredita em alguma coisa? Não pergunto se você é religioso ou algo assim... Mas se tem fé. Não importa no que você acredita, se você crê que isso pode ajudar, peça, com carinho e sinceridade. Peço todos os dias, inconscientemente até, que minha fé possa ajudar meus amigos. Este é o único modo que encontrei para ajudar os cabeçudos que não pedem ajuda, sem ser invasiva. Não sei o quanto se aplica a você - como já percebemos, somos muito diferentes - mas acredito que compartilhar experiências também faz parte do crescimento. E do auto-conhecimento.

"A dor que trás o adeus de alguém que vive nos meus sonhos, quero estar mais perto desta luz que o teu olhar. No frio da cidade eu só vejo solidão. A força da bondade tão distante da ilusão.
Eu só quero tocar as suas mãos... Te ter mais perto de mim! E sentir um abraço teu... Que este momento nunca tenha fim!"

Parabéns pelo post, Hikari².

Beijos,

Fox disse...

Primeiramente, deixe-me comentar o comentário do Tê. Em poucas palavras, ele foi capaz de sintetizar incrivelmente bem uma idéia importante. E eu concordo com ele.


Bem, agora vamos ao comentário do tópico!

Uma despedida distante. É triste, pensar que o mundo continua girando. Frio e cruel, independentemente de nossa vontade ou nossa presença. Quando nos afastamos de pessoas queridas, desejamos que elas fiquem bem. Mas isso nem sempre é verdade. Há vezes em que inexoravelmente eles nos são tiradas.

É interessante um ponto de vista que aprendi por ser um vestibulando. Em um dos anos que prestava vestibular, um dos livros era O Auto da Barca do Inferno. Neste livro, os indivíduos eram julgados no momento de sua morte, se mereciam ir para o céu ou para o inferno. Mas mais interessante do que isso, era o nome do rio que deveriam atravessar, para alcançar qualquer um dos dois. "O Rio do Esquecimento". Para verdadeiramente estarem mortos, eles precisavam ser esquecidos. E eu acredito nisso. Enquanto aquelas pessoas deixarem suas impressões em nossas memórias, almas e corações, elas continuarão vivas conosco. E é nosso dever carregá-las no peito durante nossa vida, sem esquecer as coisas incríveis que nos ensinaram.

Talvez os dias do passado nunca mais retornem. E dificilmente eles irão voltar. Mas isso não significa que o presente não será agradável. Mas é podendo comparar os dois que sabemos que temos de lutar para transformar o mundo em que vivemos. Talvez, com um pouco de sorte e determinação, em um mundo melhor.

Parabéns pelo excelente tema, Lui!

Off: Para aqueles que não entenderam o que quis dizer, é como comer uma caixa de Ferreiro Rocher. É delicioso, enquanto está lá. Mas você só vai realmente apreciar quando perceber que o pacote acabou. Entretanto, não deve ficar sofrendo por causa disso. É só mudar o óculos e vai perceber que o mundo pode se transformar diante de si.


E tem gente que acha que não dá pra fazer a brincadeira... huh? ^^