"If I touch your hand softly
I'll feel that heartbeat
Joined together, we won't part yet
The light of the stars will keep shining"
- "Stargazer", Negishi Satori
Salve salve internautas!
Para o frequentador assíduo do Ecchi Unlimited, este post está atrasado. Bem, caro frequentador assíduo do Ecchi Unlimited, você está correto! Como de costume, funciono como panela de pressão - quando a timeline aperta, a batata assa melhor. Ok, declaração sem sentido e não explica nada. Porém! Sem mais delongas, senhores, senhoras e caras senhoritas, vamos nessa?
"Efêmera"
A luz da sala era a luz do dia. Quando as nuvens conspiravam, a luminosidade criava sombras etéreas na pequena e triste sala. Ao longe, através das paredes, perdida no ar, podia ouvir uma mulher a chorar as dores intermináveis. Um lugar onde se aceita o inalterável, se contenta com o inatacável. Um lugar de humildade perante a infabilidade do tempo e a forma como as leis da existência foram escritas - a natureza e essência do ciclo. Neste local, pela última vez, todos os olhares da vida se convergem em quem parte - sem destino, só o Destino. Não apenas a solenidade da situação mas a própria força silenciosa rasgava minha garganta. Uma vontade quase dominante de gritar e agir como louco. Como aquele determinado em partir os laços do que se fez milenar. Mas todos seguram essa vontade. Todos na sala, no cemitério, no bairro, na cidade, no país, no continente e no mundo suportam essa vontade - tão ilógico, não é mesmo? Todos morrem um dia por isso, aceitar a morte destes próximos é um treino para quando chegar sua hora - só um treino teórico, para a prova prática, indeterminável mas certa. Também segurei essa vontade.
Mas ficou preso. Quem sabe tudo melhoraria se berrar-se-ia como criança, pensei. Não berrei, porém. Vê, nós, seres humanos normais ou no limite da gorda e extensa faixa da normalidade, temos uma capacidade incrível de digestão. Engole-se dor, saudade, humilhação, injúrias, abandono, solidão, violência contra nossos sonhos, nossas crenças, sobre os fatos inalteráveis da natureza de cada um, falam do que se fez errado ou o que se deixou de fazer certo, o que nunca mereceu ou o que merecia receber pelos pecados que cometeu. Se tudo fosse passado a limpo cada qual pagaria por cada segundo que viveu - porque, inevitavelmente, viver já é fazer o mal. Por isso, tornamo-nos hipócritas. Digerimos estas dúvidas e voltamos à faixa gorda da normalidade.
Perdemos um tempo imeeeeeenso digerindo. Por que ela me deixou, por que não apreciam meu trabalho? Por que as pessoas morrem?... Por que os bons sofrem e os maus proliferam? Por que o Corinthians consegue ser campeão? Sabe, digerir é a grande especialidade do ser humano. Essa capacidade incrível de fingir que não feriu e seguir em frente. Então, qual seria a solução? Precisa-se solução? O que não tem remédio, remediado está? Ora, vamos... Se as respostas pudessem ser encontradas apenas na reflexão, Buda teria chegado ao Nirvana - ops, acho que ele chegou. Mas não temos a mesma determinação de abandonar tudo para virar deuses.
"Como a vida é efêmera" é o que eu pensava, naquela pequena sala.
Girando, girando
Como ondas quebrando
Com o vento soprando
O tempo passando...
(A brincadeira deste post é a seguinte! Comentem como se fossem alienígenas!)
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5 perversos comentaram:
¬¨ˆ!
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- Minha casa...
- Telefone...
"Soletre 'escrachado'."
*Olha para cima, com o indicador para o teto...*
E-S-C-H-O-D-O-S...
"Soletre 'Víscera'."
*Sorri, com cara de quem entendeu.*
V-I-C-I-C-A-E-M-E-X-S
Er... não, não!
C-C-B-E-T-S!
Ah, caro terráqueo!
Me pegou num momento ruim para falar de digestão, efemeridade e cutucar o tio Buda lá do canto!
Permita-me dizer que digerir nem de longe é a especialidade da raça humanóide! Ao menos, não a boa digestão, o digerir saudável. São dias, meses e anos em que se alimentam tudo que é mais venenoso pra alma: rancor, remorso, inveja, vingança.
Não, o ser humano precisa aprender muito sobre a arte de digerir ainda... Fingir que não feriu? Jamais. Aceitar a dor e o sofrimento, como parte de um aprendizado. É o segredo de doer cada vez menos, e falhar, cada vez menos.
Raciocinar a dor é estudar seu inimigo, antes de desferir o primeiro golpe. Ô artezinha difícil...
...(...)
...
...! *....
....? ...!!!!
...
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"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração."
Falar sobre dores não é exatamente a especialidade humana; mas, mais do que isso, saber lidar com a dor é importante para o crescimento. E só se aprende enfrentando as dores com coragem, para que cada vez ficarmos mais fortes. Só assim suportamos as novas dores que surgem. Além disso, aprendemos que, não importa o quão ruim esteja, ainda temos amigos que não nos abandonarão nas horas de dor; basta deixá-los fazer parte desse momento. Afinal, compartilhar ajuda a aliviar a dor. E aí, talvez, mesmo em meio a tanta dor, possamos nos deixar sonhar com um dia melhor antes do nosso destino inexorável, nos permitindo viver novos dias com um sorriso no rosto.
Beijos,
Sachi
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